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Quem com ferros mata
No dia em que Barack Obama ia ser aclamado como candidato democrata às eleições presidenciais americanas, John McCain fez publicar nas televisões um anúncio — pago do seu bolso — dirigido a Obama e no qual dizia mais ou menos isto: amanhã continuamos a nossa guerra, mas hoje, um dia histórico (duplo sentido para o aniversário do discurso de Martin Luther King), quero felicitá-lo pela sua conquista.
Nos EUA as eleições são renhidas e os truques, trapaças e buscas de escândalos alimentam as candidaturas. McCain ganhou pontos, mas mais que ganhar pontos deu um tom à campanha.
Foi mais que um golpe de publicidade, foi um sinal de respeito.
Retribuído.
Obama recusou o aparente brinde da filha da vice-presidente que é menor, solteira e está grávida. Um rebuçado que tem vindo a ser insistentemente embrulhado pelos media engajados, apesar de ser uma mensagem que nenhum político americano aprove actualmente e não tenha despertado nenhum interesse particular das “audiências”. Na sua resposta veemente e sentida, Obama esteve ao lado de McCain — esta é a verdade a reter do episódio.
Ora. A transposição do exemplo para a política nacional é inevitável.
Nas últimas eleições nos grandes partidos é avaliável o grau de sensatez de cada organização. José Sócrates ganhou o PS em condições de extraordinária competitividade, com 3 candidatos de luxo. No PS as lutas intestinas não foram propriamente poços de virtude, nem isso se espera, mas tiveram o mesmo tipo de tom e correcção que McCain Obama imprimiram à campanha em curso.
Já o PSD… justos céus, o que se passa nas hostes laranjas?
O PSD sempre foi um clima mais agreste (eu podia usar palavras piores) para os seus candidatos a líderes que o seu grande rival.
Mas este século tem-se superado a si próprio.
Desde Durão Barroso, que chegou ao poder em circunstâncias normais (Marcelo Rebelo de Sousa perdeu eleições), a escadaria para o poder tem estado, digamos, particularmente escorregadia.
Durão negou a sucessão a Manuela Ferreira Leite (ele lá sabia porquê).
Depois, Marques Mendes — um homem pacífico, educado e trabalhador, ideal para fazer de Fernando Nogueira II — foi apeado a meio do percurso pelos “índios” populistas que lhe fizeram a vida negra, forçando o partido a uma escolha destempada.
Passe o trocadilho, o poder popular era, como sempre foi e será, uma ilusão. O chefe da tribo vencedora acabou ele próprio vítima de um golpe à bomba que visava estilhaçar o exército popular e “restituir a credibilidade” à nação social-democrata — e, aproveite-se, a Linha à São Caetano. As bombas incendiaram e puniram Luis Filipe Menezes com a mesma justeza com que este apeara o seu antecessor, não fosse o ligeiro detalhe de esse não ter feito mal a ninguém.
Esta semana a líder — que a esta hora já deve lamentar ter-se deixado envolver nisto — ficou sozinha com o bombista arquitecto do atentado a Menezes. Marcelo Rebelo de Sousa retirou o seu cardeal apoio a Manuela Ferreira Leite.
José Pacheco Pereira não o fará. Tal como com Cavaco, take one, se apostou em Manuela, vai com Manuela até ao fim do filme — ainda que possa sair antes do genérico final se houver argumento para nova fita abrilhantada pela estrela do Norte.
Mas Marcelo Rebelo de Sousa deixou-lhe a batuta fervente nas mãos. Muito claramente, na televisão, delegou nele a responsabilidade da estratégia. O que levanta uma curiosa interrogação. Como a água e o azeite, o PSD profundo e Pacheco Pereira não se misturam, não têm nada a ver — nem querem; até que ponto poderá Manuela justificar a presença de um corpúsculo estranho.
Bem, eu tenho uma resposta para isto que passa por Cavaco, de quem Pacheco é uma vez mais homem de mão. Quanto vale o cavaquismo no PSD — é uma pergunta com resposta: 1/3. A questão por responder é: os outros 2/3 fazem o quê?
Marcelo sempre correu a maratona.
Manuela não tem culpa. Os outros peões ainda menos. Alguns deles, dizem-me, são bastante bons. O problema é que no tabuleiro faltam torres, cavalos e bispos.
Vejam a coisa pelo lado positivo. Pela primeira vez, vejo falar-se por aí na criação de um novo partido ao centro e ninguém desata a rir. Até já foram criados dois — mas não é desses que estou a falar. É de um que rasgue de vez o manto podre da social democracia à portuguesa, um termo incaracterístico que já não significa nada nem designa nenhuma corrente.
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Acidente Spanair pode prejudicar “low cost”
No advento do desastre ocorrido na semana passada no aeroporto de Barajas de um aparelho da Spanair, analistas de aviação têm reflectido sobre o futuro da confiança no comércio aéreo.
A Spanair, companhia regular que desde há meses estava mergulhada em crise, será a principal prejudicada.
Para Marques Mendes, especialista em gestão de crise, o desastre que vitimou mais de 150 passageiros poderá penalizar as “baixo custo”: “as pessoas analisam os riscos e a tendência é para que procurem companhias que lhes dêem mais segurança e sejam mais reconhecidas, mesmo que para isso tenham que pagar mais”.
Fonte: Diário Económico
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a tradição do pontal
Não houve pontal de 1998 a 2005. Em 2006 Marques Mendes não foi. Em 2007 estavamos em directas. Angelo Correia tem razão. Manuela Ferreira Leite está a abandonar o partido.
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COISAS DA SÁBADO: PONTALO último líder nacional do PSD, Marques Men
O último líder nacional do PSD, Marques Mendes, que não era apoiado pelo dirigente do PSD Algarve, foi sujeito a uma humilhação em público na Festa do Pontal. Depois de lá estar, não havia volta a dar, foi só minimizar os estragos e fazer cara alegre, mas ninguém que se dê ao respeito pode alinhar com estas coisas. Da maneira que o PSD ainda está por dentro, feudalizado, com núcleos muito agressivos de militantes e estruturas que preferem mil vezes que Sócrates ganhe as eleições a que Manuela Ferreira Leite o possa fazer, porque pensam apenas no seu poder interno abalado pela vitória de Maio, há que compreender que há gente capaz de tudo. Como seja colocar Manuela Ferreira Leite a ouvir uma apologia exaltada do regionalismo algarvio, originando um incómodo que seria sempre o objecto das notícias, sem qualquer vantagem para o projecto nacional do PSD.
Para além disso, o PSD para poder de novo ser ouvido pelo país tem que ir buscar outra imagem, outra “conversa” com ele, que não passa pelo tipo de comício regional em que se tornou o Pontal. Os militantes que lá vão merecem todo o respeito, mas se estiverem de boa fé, sabem muito bem que é de outras coisas que o PSD necessita para se tornar uma oposição credível.
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A Doutora Leite não liga a pimbas
Portanto ao ter recusado ir à Festa do Pontal, ainda por cima organizada pelo PSD-Algarve que tem como timoneiro essa grande figura da música pimba chamada Mendes Bota, não espanta. A doutora não vai em palhaçadas e se o passado histórico de Cavaco tem o Pontal como o arranque anual da política, ela tem mais que fazer que aturar patetas alegres!!!
Por Pontal: quem está na maior algarvia é Luis Filipe Meneses. A fazer crer nas fotos do 24 e no título (visto na banca) o ex-líder é que celebra bem o Pontal: aos beijos e abraços na namorada, no quente do areal. É a política no seu melhor: a liberdade individual. Grande alívio doutor Meneses!Soraia Chaves,Fotojornalismo,politica, sexo, personalidades,web, online
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O INTELECTUAL NO SEU LABIRINTO
À excepção do PC que, suponho, mantém um "organismo" específico interno de "enquadramento" dos "intelectuais" - como tem para quase tudo -, os restantes "grandes" partidos tratam particularmente mal os seus "intelectuais". É evidente que o PC "enquadra" porque o "centralismo democrático" pressupõe tudo muito arrumadinho, nas gavetas adequadas, e sem veleidades "individualistas". O PC "cedeu" o sr. Saramago ao país e o sr. Saramago aceitou a "cedência" porque foi adoptado pelo nosso provincianismo paroquial. Bajular o sr. Saramago é o sonho de qualquer dirigente partidário fora do PC. Ora isso, por definição, agrada a Saramago mas não agrada ao PC. Vem isto a propósito do lançamento do livro* do José Pacheco Pereira (na foto à direita). Do PSD , "actual" ou menos "actual", estava o dr. Arnaut e a editora, Zita Seabra, evidentemente na condição de editora. Seria de elementar cortesia, para dizer o menos, que alguns membros da "família laranja" celebrassem a saída de um livro de um "dos seus" marcando presença. O ano passado, quando Zita Seabra lançou o seu "Foi Assim", não faltou ninguém da "nomenclatura" e Marques Mendes, o líder do momento, esteve lá. O "projecto" de JPP - "seguir" o trajecto da extrema-esquerda, "ideológica" e partidária, desde os anos 60 em diante, com o indispensável "quadro" internacional em que a doméstica se moveu - merece atenção até porque se trata de um trabalho pioneiro. Muitas das nossas "elites" actuais vieram dali. O PSD, que já teve à sua frente um ilustre maoísta, possui um negativo lastro "anti-intelectual". É o resultado, em parte, da própria história do partido, forjada num "registo" mais pragmático do que ideológico e de uma presença assídua no poder. No poder, por natureza, pensa-se pouco e tende-se a desprezar quem pensa. Veja-se, no caso do PS, o que aconteceu a Manuel Maria Carrilho. JPP é atípico da condição "militante", dentro ou fora do poder. Todavia, são militantes como JPP no PSD, Carrilho no PS ou como foi Lucas Pires no CDS que demonstram a subsistência, dentro dos partidos, de formas de vida inteligente apesar do cartão partilhado com outras formas de vida inqualificável.
*"O um dividiu-se em dois" - origens e enquadramento internacional dos movimentos pró-chineses e albaneses nos países ocidentais e em Portugal (1960-1965), Alêtheia Editores, 2008
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O LEÃO FERIDO
A minha primeira "recordação" do Major Valentim Loureiro é da Avenida dos Aliados, no Porto. Era a véspera da 1ª volta das eleições presidenciais de 1986. Soares encerrava ali a campanha com um comício. Não falou. Estava afónico. Por ele falaram Maria Barroso e o Major. A imagem é inesquecível. Valentim Loureiro berrava o mais que podia com duas bandeirinhas do PSD, uma em cada mão. O desfecho é conhecido. Passaram mais de vinte anos. Pelo caminho, Loureiro foi tudo o que quis e que o deixaram ser. Da bola às Câmaras, dos cargos "institucionais" aos simbólicos, o Major defendeu sempre as suas "causas" com estrondo e vigor. Ficou célebre a rábula dos electrodomésticos em troca de votos. Apareceu ao lado do poder, independentemente da cor, e não consta que tivesse sido sacudido. Só Marques Mendes lhe fez a "desfeita" de o não querer. Mesmo assim, sozinho, ganhou. Agora caiu do pedestal em que o regime o tinha colocado. Valentim Loureiro tem uma "biografia" que se confunde com o "chico-espertismo" que domina a sociedade portuguesa desde os tempos das antigas colónias. O regime deu-lhe a mão e ele deu a mão ao regime. A peripécia judicial ainda não terminou por causa dos recursos. Todavia, a sua simples existência e as conclusões de uma 1ª instância já determinaram a "queda" deste falso anjo. É altura de o regime arranjar o seu privativo parque jurássico no qual caibam os seus leões e as suas pombas. Valentim é, goste-se ou não dele, um leão. Está ferido mas não está morto.
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Bute lá ajudar a oposição
Com a traição de Barroso, e a inanidade de Santana, o 25 de Abril consumou-se. Algo ali teve o seu desfecho, algo ali pode ter germinado. A Revolução não substituiu os paradigmas, apenas alterou os processos. O salazarismo foi um cometa gigante que se fragmentou em 10 milhões de pedaços. Criou-se a ilusão de ter desaparecido, mas o seu impacto na inteligência e na liberdade continuou; diminuindo aqui, impedindo ali, destruindo acolá. Partidos, empresariado, povo, cada camada social reproduziu, agora completamente ocultos, os constrangimentos e inércias que vigoraram ao longo de 48 anos: provincianismo, ignorância, mesquinhez, desconfiança e medo. Antes e acima de tudo, medo. Portugal é, há séculos, uma terra de cobardes.
Só por causa da dissolução da Assembleia, em dois mandatos igualmente medíocres, Sampaio é o mais importante Presidente da Terceira República até à data. O eleitorado confirmou a decisão, dando à incógnita Sócrates uma maioria absoluta vinda do mais fundo desespero. O problema deixou de ser o Governo, visto que pior do que Santana e Barroso não seria possível. O problema passou a ser a oposição, e nesta o futuro do PSD era a questão de maior gravidade e consequências. Marques Mendes começou por dar esperanças de ir salvar o partido e renovar a classe, afrontando duas flores do mal, Valentim e Isaltino. Parecia que sabia ao que ia, e que iria até à raiz, mas não. Rapidamente se conformou com o medo, e não deu mais sinal de amar a democracia. Foi bem substituído pela doença, que volta sempre mais forte quando o tratamento não se completa. Ao lado, Portas infectava o CDS com o seu narcisismo fatal, o PCP era um monumento ao autismo e o Bloco aparecia cada vez mais catatónico. Agora, depois da eleição de Manuela Ferreira Leite e imediata derrota perante a opinião pública, o grande debate a fazer devia ser o do estado da oposição.
Anomia e anemia. O salazarismo alimenta-se do abandono da política como experiência diária de responsabilidade individual pelo colectivo, é a cultura da cunha, essa corrupção primeira que transforma comunidades em agregados de malfeitores e que perpassa por todos os níveis do poder político e económico. O salazarismo é a fuga para o materialismo mais primário e imediato, cegando a inteligência para a ética e seu poder realizador, é a cupidez consumista, pançuda, arrotada. O salazarismo é uma a-política, a experiência social em que uma amnésia histórica se abate sobre a comunidade e todos se esquecem da sua identidade de cidadãos livres. Os pais não educam os filhos para a liberdade, na maior parte dos casos nem para o livre-arbítrio. Os professores não educam os estudantes para a sabedoria, na maior parte dos casos nem para a inteligência. E os políticos não educam os cidadãos para a participação política, na maior parte dos casos nem para a participação eleitoral. Era, e é, desta consciência que devia nascer uma nova oposição, capaz de pensar a mudança cultural e capaz de se comprometer com a mudança social.
Se neste País existir alguém, pessoa ou grupo, interessado em ser verdadeira oposição — aquela que acrescenta caminhos de crescimento e realização, não aquela que apenas tenta boicotar o Governo, desprezando o bem comum, como a actual —, indo para as eleições de 2009 com uma fortíssima proposta política que lhe irá garantir, inevitavelmente, uma quantidade relevante de votos, ou até a vitória, só tem um tema disponível para erguer como bandeira: Justiça. É a razão pela qual se inventou a palavra escândalo, a exuberante prova da permanência do salazarismo e da cobardia, isto de nenhum partido até agora ter proposto investir urgente e prioritariamente na Justiça, sendo ela a necessidade fundamental para o presente e futuro da comunidade. A nossa Justiça perverte a democracia, inibindo a economia e atrofiando a cidadania. Desde o cavaquismo (só porque antes foi a grande confusão e ninguém percebia as maroscas) que assistimos à impunidade da alta corrupção e à fatalidade da corrupção sistémica. E só muito recentemente, com João Cravinho, apareceu uma voz a dar luta à decadência que molda todos os indivíduos e instituições de formas implícitas e explícitas: vírgulas a valer chorudo dinheiro, leis feitas à medida do perdão de infractores, processos que se arrastam durante anos e com erros processuais escabrosos, inquéritos que nunca descobrem culpados, completa irresponsabilidade de cima a baixo da cadeia do poder pois nunca ninguém paga pelos prejuízos causados, polícias e magistrados em guerra aberta, juízes e políticos em conúbio público com negócios escuros, a sociedade civil indiferente à podridão que corrói os pilares da comunidade. O país do Jardim, do Pinto da Costa, da Somague, do Jacinto Leite Capelo Rego, da Casa Pia, e do que nem me vou dar à pachorra e desgosto de lembrar, está pronto a oferecer o seu voto a quem dirigir a política do betão para a construção de novos tribunais e prisões, mais as respectivas vias de acesso para chegar lá rapidinho.
E para começar a ter ideias, pois elas não se têm visto na oposição, nada melhor do que voltar a pegar no Público de 3 de Julho e ler o artigo do Nuno Garoupa ou, em alternativa, ler a sua versão de 17 de Fevereiro. Depois, é marcar um lanche com ele, levar uma resma de papel, canetas Futura de cores diferentes, e desenhar um programa para a governação da malta. O nome do candidato a uma das pastas ministeriais já aqui está chapado em cima; então, só falta quem se chegue à frente para se candidatar a primeiro-ministro de um Governo que, finalmente, imponha a Lei na Justiça e a justiça nas leis. Tu?
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Rescaldo do Congresso
Vencedores:
Ele e JPP serão as duas eminências pardas de MFL, mas é Rui Rio que está agora na primeira linha de sucessão. Logo que anunciadas as Directas, teve de resistir aos cantos de sereia de todos os “sulistas e elitistas” que viam nele o melhor “instrumento” para reconquistarem o partido. Por calculismo (Menezes recandidatar-se-ia certamente para o poder derrotar), condicionantes pessoais, ou por não querer ficar tributário do “eixo Lisboa - Cascais”, teve habilidade q.b. para resistir às pressões, mas mantendo sempre um papel decisivo na escolha da solução. O “empurrão” a MFL para as Directas deve-se-lhe em grande medida e terá sido também da sua lavra o chavão da “credibilidade”, algo facilmente desmontável (e foi-o, embora só na blogosfera), mas que colou bem em campanha à imagem de mãezinha severa e taciturna da candidata.
Nas Directas, o peso político de Rui Rio foi relevantíssimo no distrito do Porto, onde se deparava com uma “missão impossível”: fazer uma campanha no terreno sem “tropas”, inclusivamente no seu próprio concelho em que se confrontou com a “traição” dos seus “fiéis”, liderados por Sérgio Vieira, que se juntaram ao aparelho de Marco António no apoio a Pedro Passos Coelho. Conseguiu porém formar um “exército de emergência” em tempo record, apelando a alguns núcleos do concelho, a quase todos os presidentes de câmaras laranjas do distrito e reactivando a antiga máquina de Cavaco para as presidenciais.
O resultado no distrito do Porto foi decisivo para a vitória de MFL a nível nacional, embora com a preciosa “ajuda” de PSL, que dividiu as hostes menezistas. Quando se esperava uma vitória esmagadora de PPC por cerca de 3.000 votos de diferença (tal fora a “promessa” de Marco António), ela reduziu-se a um quase empate (vitória por apenas 40 votos, 37,5% contra 36,6%), com MFL a ganhar em 9 dos 18 concelhos do distrito, 6 dos quais integrando a Área Metropolitana do Porto. Foi ainda um dos poucos distritos (5 em 23) em que MFL viu a sua votação subir mais expressivamente em percentagem (+6,4 pontos percentuais), face aos resultados obtidos por Marques Mendes nas Directas de 2007. No concelho do Porto, MFL obteve a sua 2ª melhor votação no distrito (52,3%, apenas superada pelos 57,6% da Trofa) mas, nas eleições simultâneas para delegados ao Congresso, Rui Rio obteve 60% numa lista por si encabeçada, “esmagando” a concorrência da lista “passista” liderada por Sérgio Vieira e de uma lista “independente” liderada por Luís Artur Pereira, também integrada por este vosso escriba.
Eleito em Congresso para a 1ª Vice-Presidência, vai ter um papel preponderante na Comissão Permanente, o verdadeiro centro de decisão política, que integra para além da Presidente, os 6 Vice-Presidentes, o Secretário-Geral e o líder parlamentar. Deste grupo, ser-lhe-ão sempre afectos, para além da própria Presidente, António Borges, Aguiar-Branco, Castro Almeida e o futuro líder parlamentar Paulo Rangel. Nuno Morais Sarmento, que também gostaria de se apresentar como ”delfim”, foi “relegado” para o Conselho de Jurisdição, onde lhe é “vedado” fazer política activa. A partir da comissão Permanente, Rui Rio irá consolidar poder e influência por todo o partido, amealhando o “lastro” para se apresentar com mais segurança a futuras Directas. O que acontecerá já em 2009 em caso de derrota eleitoral nas legislativas ou em 2012, em caso de vitória, representando uma indigitação antecipada do candidato a 2013.
Consolidou-se como challenger incontornável para qualquer liderança futura e apresentou-se como a alternativa liberal de um partido que tem vivido na alternância autofágica entre urbanos/elitistas/notáveis e rurais/basistas/populistas. Fez o discurso mais político do congresso, num estilo conciliador e cativante em que não cabem ressentimentos pessoais e lhe granjeia simpatias generalizadas. Mas encostou MFL literalmente às cordas, desafiando-a a esclarecer o que a diferencia do PS e a optar entre políticas liberalizantes ou socializantes. Rui Rio procurou responder-lhe de forma vaga, mais com a emoção - que dá muitas palmas nos Congressos - do que com a razão, mas não conseguiu melhor do que contrapôr o “estatismo bom” do PSD.
Chegou ao Congresso com um terço dos delegados, mas teve de se confrontar com a guerra de lugares - o verdadeiro leit-motiv destes conclaves partidários - ateada não se sabe se por si se pela Distrital do Porto, que supostamente exigia uma mão cheia de conselheiros nacionais. Teve a firmeza para dizer não - algo sempre de realçar num político - conseguiu minimizar as perdas com a obtenção de 16 conselheiros, apenas menos 4 que MFL e a enorme distância da lista santanista (5) e, melhor ainda, apagou o “ferrete” que representava a sua associação a Marco António.
As Directas deram-lhe uma notoriedade pública que não tinha e os 31,5% que nelas obteve representam um capital passível de render juros elevados: seja pela cooperação que não regateou a MFL, seja pela alternativa que sempre corporizará após um eventual falhanço. Nessa altura, vê-lo-emos a medir forças com Rui Rio.
Vencidos:
Entrou na curva descendente, como eu já havia palpitado e agora talvez não haja travessias do deserto que o recomponham. Mantém o mesmo discurso de há anos, sempre impregnado de uma forte carga de vitimização e ressabiamentos pessoais. Ainda atrai aplausos, microfones e holofotes, ou não fossemos um povo de “comadres” imbatíveis na maledicência, mas rende cada vez menos votos. Teve uma votação nas Directas bastante superior ao que se esperaria, fruto em grande medida de um voto muito localizado. Foi aqui decisivo o apoio activo de algumas distritais (casos da Madeira e de Faro) e a aposta nas maiores Secções concelhias em que a “cacicagem” se revelou bastante eficaz. No conjunto das 13 Secções gigantes (aquelas com mais de 1.000 eleitores, superiores por si só a algumas distritais), PSL obteve 40,5%. A concentração a seu favor ainda foi mais acentuada nas 5 maiores Secções (Gaia, Trofa, Famalicão, Vila Verde e Porto) em que obteve 50%, arrasando literalmente em Vila Verde (86,3%) e Famalicão (74,2%) e vencendo com uns expressivos 43% em Gaia, o “feudo” de Menezes e Marco António. Na maioria das Secções, em que a sua votação foi mais exígua, não chegou sequer a eleger delegados ao Congresso e, os poucos que elegeu, acabaram por se fraccionar em 2 listas ao Conselho Nacional. A pulverização é, aliás, o destino inevitável de todos os movimentos formados em função do carisma e dos interesses do seu líder.
O seu narcisismo continua em alta e fará com que continue a “andar por aí”. Em 2011, tentará a presidência da República.
Em grande medida por culpa de Menezes, Marco António saiu “mui mal ferido” de toda esta refrega Directas/Congresso. Se estava a construir uma agenda própria, Menezes trocou-lhe as voltas quando se demitiu de presidente do partido. A vitória de MFL e o reforço da influência de Rui Rio no distrito, deixou Menezes confinado apenas à Câmara de Gaia e travou as aspirações de Marco António em ascender à presidência, estando condenado a manter-se na sombra do seu “padrinho”. A estratégia errática de Menezes nas Directas, repartindo apoios por PPC e PSL e as suas entrevistas no final da campanha ”espumando” de raiva contra MFL, deram um contributo fundamental para a vitória desta. O Porto foi aliás o único distrito em que o conjunto PPC/PSL teve uma votação inferior a Menezes nas Directas de 2007 (menos 901 votos, uma redução de quase 4%, que terão engrossado a abstenção). No Congresso, nova derrota com a “cisão” das listas de PPC motivada pela habitual barganha de lugares. Subsistem ainda dúvidas quanto ao real motivo que despoletou esta separação: se a habitual insaciabilidade do aparelho, se uma deliberada intransigência de PPC para se ver livre de um aliado incómodo. Mas Marco António ficou a perder, pois elegeu apenas 3 conselheiros nacionais, menos do que teria garantido na lista de PPC. Fragilizado como ficou, poderá ainda ter de se confrontar com uma revolta das suas “hostes”, eventualmente com o patrocínio de Rui Rio, que não desdenharia arredá-lo da distrital.
“Atrelados”:
Não se deu por Aguiar-Branco no Congresso. Desde 2007 que se vem manifestando sempre disponível para tudo quanto é lugar vago, mas na hora da verdade, ou não se apresenta a votos ou é irremediavelmente ultrapassado e engolido no turbilhão das ambições de outrém. A sua última “derrota” aconteceu com a liderança parlamentar, perdida a favor do seu ex-secretário de Estado, Paulo Rangel. Irá continuar na sombra de Rui Rio que, depois de o ter “puxado” para uma das vice-presidências, lhe atribuirá porventura um irrecusável “prémio de consolação”: a liderança da lista para o Parlamento Europeu.
O eterno salvador da pátria, homem com melhor imprensa do que a que teve Barroso quando era o “delfim” mais desejado, sempre com um microfone e uma câmara disponível ao mínimo sinal de turbulência no país ou nas hostes laranjas. No Congresso de Pombal de 2005 que entronizou Marques Mendes, António Borges ainda tentou ir buscar lã, mas ia saindo tosquiado. Agora foi mais “pragmático” e refugiou-se no “colo” de MFL e Rui Rio. Ganhará peso político se amanhã chegar a ministro das finanças.
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Matar o pai
Ele soube acabar com o Bloco Central quando este já resvalava para o pântano. Soube ler os sinais que anunciavam tempos de vacas gordas, exponenciados em Portugal pelos então já certos fundos comunitários. Duas maiorias absolutas que depois conquistou tornaram caduco o conceito de “bloco central” - conceito político, entenda-se, porque o dos interesses consolida-se todos os dias.
Depois do “tabu” e da derrota perante Sampaio, retirou-se oficialmente. Mas na prática a sua presença fez-se sempre sentir. Fosse pela inépcia dos seus sucessores, que mais reforçava nos militantes laranja a nostalgia do “passado glorioso”, fosse pelas suas esporádicas mas sempre sibilinas intervenções, soube sempre condicionar e se necessário desgastar (Santana que o diga…) a carreira dos sucessivos líderes do PSD.
Sempre nutriu um enorme desprezo pelo partido e enfastiava-o toda a pequena intriga própria deste tipo de organizações. Mas conseguiu sempre pôr a máquina a suportar as suas ambições, fosse para se guindar a 1º ministro ou, mais recentemente, para a presidência da República em que Marques Mendes assumiu o diligente papel de “director de campanha”.
É assim que, depois de ter sido o coveiro do Bloco Central, pode ser o responsável por ressuscitá-lo, a melhor forma de garantir a reeleição. O PS já conseguiu matar o pai (Soares) nas últimas presidenciais, por clarividência de Sócrates ou por simples acaso. É porém impensável esperar “instintos patricidas” de Manuela Ferreira Leite. Daí que, se convier a Cavaco (e a muitos outros “notáveis” ávidos do poder), teremos de novo o Bloco Central. E tal como em 1983, aí está uma crise para lhe servir de justificação.
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Dia da Raça:"gaffe" ou acto falhado?
Há minutos, ouvi Cavaco Silva dizer que estava a comemorar o Dia da RAÇA. Atendendo a que ele nunca tem dúvidas e raras vezes se engana, não se deve ter tratado de uma "gaffe". O PR , com uma notável sinceridade, disse aos portugueses que o 25 de Abril foi uma encenação mediática que deve ser rapidamente esquecida. O Dia da Raça permenece no subconsciente de Cavaco, ( e de muitos portugueses...) como uma data onde se devem exaltar os pergaminhos do povo português. Por isso decidiu condcorar Marques Mendes, cuja obra em prol do País ninguém conhece. Foi um acto falhado. Cavaco acredita que Portugal é o País da Branca de Neve e dos Sete Anões. Condecorou o "Rezingão". Ninguém lhe vai levar a mal por isso. Afinal, a Raça dos portugueses apenas se manifesta nos dias em que ganhamos um jogo do europeu de futebol. Por isso, já houve uma selecção apelidadda de "Tugas". A´única coisa que me espanta, no meio disto tudo, é que o PR se tenha insurgido contra a falta de formação política dos jovens portugueses. Com Presidentes assim, que é que ele esperava?
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UM NÃO TRIVIAL
Marcelo, agora em versão completa, isto é, que inclui o comentário futebolístico, não concorda com a hipótese do deputado Paulo Rangel à frente do grupo parlamentar do PSD. Porquê? Segundo Marcelo, Rangel é directo, incisivo, cáustico, se for necessário, e isso é mau para o alegado "objectivo: preocupações sociais" de Manuela Ferreira Leite. Marcelo prefere um songa-monga, de perfil burocrático e superficial, que debata banalmente com Sócrates. Mais. Rangel, por um azar de mercearia e para sorte dele, é formalmente um "independente". Espero que, até ao congresso, Manuela perceba que a "frente" parlamentar é fundamental e que Rangel - este, sim, sem vícios partidários adquiridos nas "jotas" ou nas secções - seria uma voz adequada nessa "frente". Nunca dei por nenhuma intervenção daquele deputado que fosse inoportuna. Pelo contrário, tem protagonizado algumas das intervenções mais inteligentes que brotaram de um grupo parlamentar que, na feliz expressão de Marques Mendes, foi escolhido numa noite de nevoeiro. É novo e é, pelo menos, um não trivial. Voto nele.
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O partido dos 3
O PSD rege-se pelo número 3. Tem 3 palavras no nome: Partido Social Democrata. Há 3 anos que não é poder (Santana foi o seu último Primeiro Ministro, apeado em 2005).
No número 3 está, também, a salvação do partido no curto prazo (ler última frase deste artigo sobretudo humorístico).
A regra dos 3 nomes é cada vez mais uma imposição: não parece simplesmente possível fazer carreira de dentro para dentro do partido ou de fora para dentro sem ter 3 nomes. O que era tendência desde a fundação virou obrigação. Luis Filipe Menezes tem 3 nomes. Pacheco Pereira é cada vez mais José. Manuela Ferreira Leite. Marcelo Rebelo de Sousa. Pedro Santana Lopes. Mário Patinha Antão. Pedro Passos Coelho.
Como reza a Wikipedia, o Partido Social Democrata foi fundado (em 6 de Maio de 1974) por Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota sob o nome Partido Popular Democrático (PPD).
A nomenklatura social democrata é curiosa.
A ficha na Wikipedia é assaz pertinente para esta magna análise:
* Francisco Sá Carneiro (1974-1978)
* Emídio Guerreiro (1975)
* António Sousa Franco (1978)
* José Menéres Pimentel (1978-1979)
* Francisco Sá Carneiro (1979-1980)
* Francisco Pinto Balsemão (1981-1983)
* Nuno Rodrigues dos Santos (1983-1984)
* Carlos Mota Pinto (1984-1985)
* Aníbal Cavaco Silva (1985-1995)
* Fernando Nogueira (1995-1996)
* Marcelo Rebelo de Sousa (1996-1999)
* José Manuel Durão Barroso (1999-2004)
* Pedro Santana Lopes (2004-2005)
* Luís Marques Mendes (2005-2007)
* Luís Filipe Menezes (2007-2008)
* Maria Manuela Ferreira Leite (2008-)
O Grande Mistério é, sem dúvida alguma, este: o que é que que têm Emídio Guerreiro e Fernando Nogueira que são diferentes dos outros?
Não se pense que isto não tem importância, que não passa de um fait-divers. Sê-lo-ia se a regra fosse mais ou menos indistinta na política portuguesa.
Mas não é.
No Partido Socialista (o único partido de poder com 2 palavras no nome!) é quase o contrário: 2 nomes chegam para identificar o secretário geral. O mesmo acontece no Partido Comunista Português.
Aqui o leitor pensa: ah, então a tese do Paulo Querido (psst, eu assinei Paulo Carreira Querido em 1981-83, depois o Daniel Reis — 2 nomes! — meteu-me na ordem e deixei-me de coisas) é provar que a Direita e tal — não, escusa de ir por aí: os fundadores do CDS ainda tentaram, mas a deriva populista depressa acabou com isso.
É preciso ir ao Partido Popular Monárquico para encontrar novamente a aplicabilidade da regra — e mesmo assim, deve-se ao facto de o seu líder ser inamovível, na melhor tradição monárquica. Mas mesmo ele foi menos Gonçalo que Ribeiro Teles.
Finalmente: o PSD saiu das suas directas como entrou, só que com mais nitidez de contornos: dividido (ou agrupado, como alguns preferirão ver a coisa) em 3 blocos, os históricos (Ferreira Leite), os “populistas” (Santana) e os liberais (Passos Coelho).
A estes blocos, como dizer, temáticos (ideológicos seria um palavrão nada apropriado a este partido, haja tino) corresponde, nada grosseiramente, uma divisão geracional.
Com Ferreira Leite, perdão, com Manuela Ferreira Leite está o que resta do PSD dos anos 80 e 90, gente pelos 60 anos de idade e assim.
Os populistas são os que andaram a organizar os comícios e a levar os cafés aos gabinetes dos mais velhos nesses Anos Dourados, mesmo que pouco mais velhos, já entraram na meia idade e raramente passaram de posições sub-alternas (e quando passaram mais valia terem ficado quietos).
Os liberais são os que andaram agitar as bandeiras e a colar cartazes nos Anos Dourados e hoje coçam a palma das mãos sentido que está na hora deles. Olham em redor e os companheiros de surf já disfarçam a barriga na prancha longa, vestem um respeitável divórcio e trabalham a consentânea posição nos boards “da privada”.
Uma história para adormecer
É extremamente divertido assistir à preparação da opinião por parte dos porta-vozes informais da corrente histórica. Basicamente, pretendem convencer o eleitorado “de fora” que aquele partido é apaziguável, que a maestrina Ferreira Leite será capaz de afinar as gargantas a uma só voz. Fazem o lógico numa situação de fragilidade: oferecem prebendas (em número racionado) a uma das facções rivais para eliminar a outra.
É como tapar o sol com uma peneira. É uma história para adormecer.
A realidade é dura. Manuela Ferreira Leite controlará tanto ou menos o destino do PSD do que Pedro Santana Lopes — que, ao andar por aí, é o Manuel Alegre do PSD, com o mesmo poder de chantagear o líder em exercício com a ameaça de partir o partido em dois.
Passos Coelho ganhou o estatuto de incontornável para o pós 2009, seja ele qual for. Ainda que num horizonte mais dilatado, controla tanto ou mais o destino do PSD que Manuela: se a esta a coisa não correr bem, ou correr menos mal, não tem para mais que dois anos. Só uma vitória inequívoca sobre Sócrates reforçará a sua famosa credibilidade.
Depende de Pedro Passos Coelho querer passar o tempo a curtir as vistas — ou a pressionar taco a taco: Manuela Ferreira Leite tem de estar em permanente guarda com ele.
Quanto a Pedro Santana Lopes, tem luz própria — gostem as estrelas circundantes disso ou não, gostem os planetas iluminados disso ou não. Santana já antes fez o movimento para a direita e nada o impede de o repetir. Não tem nada a perder, no PSD ele é um homem vetado.
O CDS de Paulo Portas — a quem os mesmos shapers que estão a alcatroar a estrada para Manuela vaticinam o desaparecimento conveniente — ficaria subitamente mais importante.
O principal problema para a fusão, acredito, não é ordem ideológica (Santana sempre foi conservador), mas sim de quantidade de nomes. Um partido habituado a líderes de 2 nomes estará em condições de se aliar a um político de 3 nomes?
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As minhas análises (estou com ácidos)...
Sem esconder que apoiei Pedro Passos Coelho, não considero incompatível regozijar-me com a vitória de Manuela Ferreira Leite, sem que com isso espere indulgências ou qualquer lugar para mim, para um filho (que não tenho, ao que sei) ou afilhado (desculpa, Luís…).
Antes de mais, seria idiota pôr em causa a folha de serviços da Presidente eleita, a sua dedicação ao País e ao partido ou sequer a clareza e o mérito da sua vitória. Chega de mau perder e de autofagia no PSD!...
Depois, fica a curiosidade de falarmos da primeira mulher a liderar um partido nacional, sem que para isso tenha necessitado de quotas!... À atenção de todas as senhoras que, em vez de apostarem no mérito da participação, se reúnem em jantares à espera da boleia da Lei (da qual duvido, por muito boas que sejam as premissas). Acresce que poderemos vir a ter, pela primeira vez, uma senhora eleita para o cargo de Primeiro-Ministro, já que a eng.ª Maria de Lurdes Pintassilgo foi-o por convite presidencial (sem que isso belisque o seu mérito, diga-se).
Mas, curiosidades de almanaque e beijocas no querubim recém-nascido (o neto) parte, manda a acutilância política que se pergunte se vamos ter mais da política e das soluções clássicas que nos governam desde o 25 de Abril. Se o hirto sentido de Estado de Sá Carneiro, Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite (enquanto ministra) foram cruciais para nos consolidar como pátria, fica a saber a pouco quando nos perguntamos como emocionar e motivar a Nação para um esforço de desenvolvimento que depende muito mais das pessoas e da cultura cívica que dos Estados que, por esse mundo, encontram na globalização e no mercado absoluto os limites de caducidade.
O truque pode estar em associar à sabedoria, credibilidade e austeridade da nova líder quadros com provas profissionais e cívicas que respeitem processos éticos, mas inovem nas soluções substantivas, devolvendo ao partido e a Portugal a noção de um ideal social, de um sonho, de um paradigma novo de desenvolvimento e de amparo social.
Do que estou certo é de que há que cerrar fileiras na concepção de uma alternativa credível ao actual Governo, causando-me urticária as análises que tenho ouvido e que dizem que Ferreira Leite não venceu, porque os votos de Passos Coelho e Santana Lopes, se somados, são mais. Ou isto mudou muito ou, que eu saiba, quem vence ainda é quem fica em primeiro lugar, não havendo coligações em eleições uninominais. Mas se calhar sou eu que já esqueci a ciência política em que me encartaram como mestre…
Para Pedro Passos Coelho fica a certeza de uma campanha fresca de ideias, sedutora de postura e aliciante para uma sequela. Entendo que o tempo que queda por diante poderia ser aproveitado para saltar as baias da máquina de votos que teve que montar (nunca desprezando esse capital), para separar “a boa da má moeda” (como se diz no Palácio de Belém, a nova Meca da liderança laranja) e para, humildemente, analisar as críticas construtivas que foram feitas, designadamente quanto à consistência das opiniões e das medidas propostas e respectiva carga persuasiva. Por mim, sinto-me contente com o voto que dei a Pedro Passos Coelho, de quem espero leal cooperação para com a liderança, pelo menos, até ao fim dos embates eleitorais de 2009.
Quanto a Pedro Santana Lopes, lá cantava o “menino guerreiro” que “um homem também chora”… Após tantos e tão surpreendentes renascimentos, já só me resta aguardar ansiosamente onde é que o James Bond do PSD vai fazer o próximo “filme”, pois se a derrota de 2005 não lhe deu sugestão para harakiri, não será o terceiro lugar no PSD que o leva a cortar os pulsos da militância. Reconhecido o mérito de um dos mais curiosos curricula da política lusa, apenas resta lamentar a forma como não soube “combater” (como costuma dizer), designadamente quando se referiu à inexperiência e às derrotas (Câmara da Amadora e PSD de Lisboa) de Passos Coelho. Algo que ainda espanta mais dito pelo mesmo cidadão que, no Congresso de Viseu (que o opôs a Durão Barroso e Marques Mendes), disse a Durão (após a graça falhada deste sobre Zandinga e Gabriel Alves): “olha, Zé Manel: nunca se deve pisar quem perde! É uma lição que te fica para a vida”… Ao Zé Manel até pode ter aproveitado a lição, já a Santana…
De uma ou de outra forma, se ainda percebo o PSD, o que o carisma de Ferreira Leite não conseguir fazer, caberá à esperança de um lugar nas listas de 2009: ajudar a acalmar muitos dos tribunos de ocasião que dominam a atoarda social-democrata. Oxalá também haja espaço para pensar política a sério!...
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Manuela Ferreira Leite
Manuela Ferreira Leite decidiu não dizer nada durante as directas do PSD. Conduzindo a campanha mais pessoalizada de que há memória, o resultado da estratégia está longe de ser o mais animador. Apesar do significativo crescimento do universo eleitoral, Ferreira Leite apenas conseguiu mais mil votos do que Marques Mendes contra Menezes. As duas candidaturas que disputaram os destroços da cessante liderança bicéfala, conseguiram mais de 60% dos votos. Mas Ferreira Leite não deverá encontrar grandes problemas internos. Cheira a eleições e todos querem ter o seu lugar nas listas que se avizinham.
Os problemas são outros. O que é que Ferreira Leite tem para oferecer que a distinga de um Sócrates que pode reclamar ter conseguido cumprir aquilo a que Ferreira Leite se propôs: pôr as contas públicas em ordem? Acreditar, como circula por alguma blogosfera, que Ferreira Leite vai guinar o PSD para a esquerda e disputar o descontentamento do eleitorado de centro-esquerda é esquecer que o único trunfo que lhe permitiu 37% no PSD, a sua imagem de marca como “dama de ferro”, é um poderoso handicap fora do campo político mais seguro da direita.
Depois o principal. Quem perde um debate com Patinha Antão tem um problema sério para resolver. Mesmo sem dizer quase nada, as entrevistas e declarações políticas de Ferreira Leite foram uma desgraça. Não vai ter essa benesse nas legislativas. Vai ter que explicar ao que vem e como se propõe fazê-lo. E aí, a julgar pelas titubeantes explicações sobre o fim da universalidade no SNS e as prestações nuns debates muito reverentes, a tarefa está longe de garantir os serviços mínimos. Ferreira Leite é a líder escolhida para pôr ordem na casa e perder com dignidade. No estado em que está o PSD já não é pouco. Mas convém não pedir mais que é para não ficar desiludido.
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As primeiras bicadas de Marcelo à avó
Portanto o PSD está partido. De um lado os velhadas, os barões, os emproados. Do outro, os populares que se misturam entre caciques, populistas, sulistas, cavaquistas... toda aquela aguarela política pimba que dá pelo nome de PPD. Manuela Ferreira Leite vai ter vários, muitos mesmos, problemas. Um deles é o facto de nunca poder confrontar-se com o engenheiro cara-a-cara no parlamento. Ela não quis fazer parte da lista ao parlamento. Demitiu-se, fugiu, foi trabalhar para o Barclays.
Para criticar Sócrates vai convocar conferências de imprensa ou falar à saída de portas ou a entrar para o carro ( é pouco o género dela). Depois vai conviver mal com a imprensa, embora os porta-microfones de serviço lhe vão prestar vassalagem. Imagine-se uma daquelas estagiárias, que ganham menos do que uma kosovar a limpar o chão, a perguntar à Tatcher da treta se tenciona abrandar o IMI, esse imposto já rejeitado pela própria mãe ! Tudo e todos vão andar com respeitinho.
Os portugueses adoram mães, madrastas da política, chefonas, santas. Manuela Ferreira Leite desperta aquele sentimento sempre acalentado em cada português que gosta de carros cinzentos metalizados, bandeiras à janela, brindes nos jornais e muita vergastada nas costas: o sentimento da resignação e da obediência. Veja-se: esta senhora ganhou um partido sem ter debitado uma ideia, um caminho. Tem tantas ideias como uma loira ( sem ofensa). Que vêem estes militantes de província nela ? Apenas uma visão de um cavaquismo ressuscitado, cavaquismo do bom, daquele que já não se fabrica e que esgotou quando o protagonista teve de mudar de papel para ocupar um lugar no Palácio de Belém.Haver um Salazar, um Cavaco, um chefe, um capataz, algum santo Deus que tome conta de uma maralha que no fundo não gosta de trabalhar e que reza para alguém lhe assegurar uma reforma mínima, uma carreira modesta, uma morte com visto para o Céu.
Marcelo tinha hoje muita razão: Manuela Ferreira Leite é um terço do PSD. Eu acrescentaria: neste momento vale 10 por cento do país. Vai tirar votos à direita de Portas mas não arrancará um voto à esquerda que é maioritária e que vai emolar Sócrates nas próximas eleições. O voto útil deixou de fazer sentido: qualquer voto útil é o passaporte para esta política cega de combate às contas públicas mas inimiga do progresso.
Salazar também era um bom ministro das finanças, deixou o pais com toneladas de ouro mas sem sucesso social, sem classe média, sem modernidade. Sócrates e Leite são essa face tenebrosa das políticas que só vêem números. Há vida, muita mesmo para lá das contas de somar e sumir. Por isso repito: não precisamos de uma contabilista em S. Bento. Precisamos de uma política nova. Nova mesmo.Soraia Chaves,Fotojornalismo,politica, sexo, personalidades,web, online
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A uma semana da eleição para a presidência do PSD, talvez seja apro
Pedro Santana Lopes jura que mudou, mas não mudou. Continua a oscilar entre o papel de vítima (da televisão e da imprensa, do inimigo interno, da perfídia do mundo) e o papel de "menino guerreiro", sempre pronto a combater por ele e pelo partido, por mais desesperada que à primeira vista pareça a situação. Não se cansa de proclamar que é o homem que não podia ganhar a Câmara da Figueira e a ganhou; ou que não podia ganhar a Câmara de Lisboa e a ganhou. Infelizmente, quase nunca se lembra da patética aventura do seu Governo e da humilhante derrota de 2005. Ao repertório habitual acrescentou agora um ajuste de contas com o "grupo antipartido", que acha responsável pelas suas desgraças e, por extensão, da colectiva desgraça do PSD. No princípio da campanha, declarou que não era hoje tão "imprevisível". Não lhe ocorreu com certeza que o mal dele é ser excessivamente previsível.
Pedro Passos Coelho, que saiu do nada, explica dia a dia, com grande convicção e ênfase, que um verdadeiro chefe, um chefe nato, não nasce da experiência. E cita Aznar e Zapatero. O que sugere irresistivelmente a frase de um velho deputado a um aspirante a ditador de França, que se comparava a Napoleão: "Meu general, com a sua idade, Napoleão já tinha morrido." Pedro Passos Coelho não é o Napoleão (nem o Aznar) do PSD e a sua candidatura anda entre uma espécie de Suíça partidária (um "país" neutro para fugir à guerra) e um campo de refugiados. Apoiar Passos Coelho é a maneira de evitar um compromisso perigoso com Ferreira Leite ou com Santana e é, além disso, uma boa maneira de "voltar ao activo" para alguns restos de "cavaquismo" e do regime de Marques Mendes, como para o populismow que seguiu Menezes e se arrependeu a tempo. Esta mistura não promete o futuro, qualquer futuro. Esta mistura ressuscita o passado.
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A arte do panegírico
«Carmona Rodrigues tem não só todas as qualidades dos seus três adversários, mas ainda um prestígio e uma credibilidade reconhecidos por toda a gente.»
13 de Julho de 2005
«Cavaco Silva reúne assim honesto estudo, longa experiência e engenho, “cousas que juntas se acham raramente”. Combina os ensinamentos da mais ilustre tradição humanista europeia com as preocupações modernas de uma democracia estruturada, inovadora e qualificada à escala do ser humano.»
19 de Outubro de 2005
«A escolha de Fernando Negrão pelo PSD é boa e consistente. No estado a que as coisas chegaram, só um magistrado judicial pode contrariar com conhecimento de causa, firmeza e isenção, a vaga de judicialismo acusatório e desagregador de que a câmara tem sido alvo.»
20 de Maio de 2007
«Marques Mendes inspira-se na firmeza de Sá Carneiro, no saber de experiências feito e no rigor de Cavaco Silva, na versatilidade de Marcelo e na destreza política de Durão Barroso.»
26 de Setembro de 2007
«Autenticidade é uma palavra que ocorre imediatamente a propósito de Manuela Ferreira Leite. Basta ouvir ou ler as suas intervenções. Em cada declaração que faz, ela está ali, inteira e transparente, na franqueza e na dignidade com que se expõe, sem disfarces, subterfúgios ou jogos, sem desculpas, pretextos ou calculismos mais ou menos elaborados.»
Hoje, 21 de Maio de 2008
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MENEZES CONTRA TOMB RAIDER
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FIGURAS "CHAVE NA MÃO"
Se bem entendi, a "chave" da cidade de Lisboa só foi entregue, recentemente, a três portugueses, a saber, Carlos Lopes, Saramago e Durão Barroso. Lopes é um bom homem que não merecia tão tristes companhias. Já Sócrates e Barroso, "companheiros" ou "camaradas", merecem-se um ao outro. E Costa, como não tem, por enquanto, mais nada para dar, vai fazendo esta pobre figura camarária. Foi para isto que caíram Carmona e Marques Mendes?
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Marques Mendes admite regresso à vida política no futuro
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Marques Mendes admite regresso à vida política no futuro
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Marques Mendes admite regresso à vida política no futuro
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Marques Mendes admite regresso à vida política no futuro
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PSD: Paulo Rangel diz que é militante desde 2005 e quer regularização "rápida" da sua situação
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Expresso: «Sem apoios firmes, Santana avança»
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PSD: Manuela Ferreira Leite tem condições para unir o partido - líder da Distrital de Leiria
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PSD: Passos Coelho anuncia hoje se se candidata às eleições de 24 de Maio
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PS retoma projecto que impede autarcas acusados de se recandidatarem
A proposta era do PSD de Marques Mendes, mas já ninguém quer ouvir falar dela na actual direcção social-democrata. Depois de ter afastado das listas das autárquicas de 2005 os seus presidentes de câmara suspeitos de crimes de corrupção - Isaltino Morais e Valentim Loureiro -, o PSD apresentou no Parlamento, logo em 2005, um projecto de lei que propunha uma "limpeza" nas autarquias, que iria também atingir, por exemplo, Fátima Felgueiras.
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